Nem sempre aprender um idioma é sobre entender tudo. Muitas vezes, é sobre saber o que fazer com o que ainda não se entende. E poucas obras ilustram isso de forma tão instigante quanto Tree of Codes, do autor Jonathan Safran Foer.
Publicado em 2010, o livro é, ao mesmo tempo, literatura e objeto artístico: uma experiência de leitura que brinca com ausência, fragmento e reconstrução de sentido — temas que dialogam diretamente com a jornada de quem está aprendendo inglês.
Neste artigo, você conhece mais sobre esta obra e como ela pode ser uma ótima inspiração para fazer uma atividade diferente, exercitando o inglês de uma forma bem específica. Vamos lá?
O que é o Tree of Codes?
Para criar esta obra, Foer não escreveu uma história do zero. Ele pegou seu livro favorito, The Street of Crocodiles, de Bruno Schulz, e o transformou fisicamente.
Cortou palavras, deixou buracos, escavou frases. Cada página possui recortes que expõem apenas trechos do texto original.
O leitor se depara com uma nova narrativa, composta pelas sobras, pelos restos cuidadosamente escolhidos. O que não está visível é tão importante quanto o que permanece. A leitura se torna um ato de escavação e reconstrução — algo muito semelhante ao processo de aprender uma nova língua.
Esse tipo de leitura ativa, em que o leitor precisa montar o enigma por si mesmo, lembra também o gênero whodunnit, no qual pistas e lacunas conduzem à descoberta do mistério. Entenda o que é um whodunnit e como ele estimula o raciocínio criativo.
Tree of Codes e o aprendizado de inglês
Quando começamos a estudar inglês, a sensação é parecida: as frases chegam incompletas, os significados se sobrepõem, algumas palavras escapam.
Ainda assim, conseguimos entender, inferir, construir. Fazemos conexões entre fragmentos, usamos contexto, intuição e repertório para preencher lacunas.
E é neste ponto que Tree of Codes se torna uma metáfora para o aprendizado de idiomas: ele nos mostra que mesmo o incompleto pode ter significado — e que o sentido não vem só das palavras, mas das relações entre elas.
Assim como no efeito Kuleshov, em que o contexto altera nossa interpretação de uma imagem, também interpretamos palavras em inglês de forma subjetiva, dependendo do que vem antes ou depois.
Um repertório diferente para o seu inglês
Ao contrário de métodos tradicionais baseados na repetição mecânica, a experiência de leitura proposta por Foer exige participação ativa.
O leitor não é um consumidor passivo do texto, mas alguém que cocria o que lê. E esta postura pode — e deve — ser levada para os estudos de inglês.
Em vez de apenas decorar palavras ou estruturas gramaticais, que tal experimentar o idioma como um espaço aberto de criação?
Ao olhar para o inglês com mais liberdade, abrimos espaço para interpretações múltiplas, associações inesperadas e uma compreensão mais profunda e pessoal da língua.
A linguagem, afinal, não é feita apenas de regras fixas. Ela também é ambiguidade, experimentação, jogo. Há espaço para erro, para surpresa, para novas conexões. E é nesse campo da exploração que o aprendizado se torna mais significativo.
Ao encarar um texto como um quebra-cabeça onde nem todas as peças estão disponíveis, o estudante se vê desafiado a montar o quadro com o que tem — e esta prática estimula tanto a criatividade quanto a autonomia.
Por isso, Tree of Codes pode servir como inspiração para uma atividade prática que você pode incorporar na sua rotina de estudos.
Gramaticalmente, há inclusive estruturas que convivem com ambiguidade, como no uso do present perfect e do present perfect continuous, onde o tempo exato das ações muitas vezes é implícito.
Atividade prática: crie o seu próprio Tree of Codes
A ideia é simples: fazer o seu próprio Tree of Codes, adaptado ao seu nível e repertório de inglês. Aqui vai um passo a passo para experimentar esta proposta:
Passo 1
Escolha um texto curto em inglês. Pode ser uma letra de música, um trecho de conto, um poema, uma notícia breve — o importante é que seja algo com que você já teve algum contato, mas que ainda possa te surpreender.
Passo 2
Leia o texto com atenção. Sublinhe ou destaque as palavras ou frases que mais chamam sua atenção. Pergunte-se: quais trechos parecem carregar mais sentido ou beleza? Quais despertam curiosidade?
Passo 3
Agora vem a parte mais criativa: “corte” o restante. Literalmente, se quiser pode imprimir e usar tesoura. Ou digitalmente, apagando os trechos que você considera menos essenciais. O objetivo é deixar apenas os fragmentos que, para você, formam uma nova narrativa ou uma nova imagem.
Passo 4
Leia o resultado em voz alta. Perceba como o texto mudou. Há algo de poético nas ausências? Alguma nova história surgiu a partir do que ficou?
Passo 5
Se quiser, complemente com anotações em inglês, adicionando suas próprias interpretações, desenhando ou criando conexões visuais com emojis, cores ou colagens.
Para manter constância, você pode integrar essa atividade ao seu calendário de estudos day-to-day e alternar com outros métodos, criando uma rotina mais dinâmica.
Benefícios da atividade com Tree of Codes
Este tipo de prática não substitui outros métodos de estudo, mas complementa de forma poderosa. Ela ativa a memória visual, amplia o vocabulário de maneira contextualizada e, principalmente, aprofunda a relação emocional com a língua.
Quando você se envolve ativamente na construção de significado, o idioma deixa de ser algo distante ou impessoal e passa a fazer parte da sua expressão.
Estudantes da Geração Z estão cada vez mais conectados com experiências que envolvem estética, autoria e personalização.
Trazer estes elementos para o estudo de línguas pode ser um diferencial enorme. Com Tree of Codes como referência, fica claro que aprender inglês não precisa ser um processo linear ou limitado a exercícios tradicionais. Pode ser também uma prática artística, reflexiva, envolvente.
No fim das contas, cada pessoa constrói sua própria linguagem. E o inglês que você aprende também é seu — com seus ritmos, lacunas e escolhas.
Ao fazer seu próprio Tree of Codes, você exercita justamente esta autonomia: o poder de transformar fragmentos em sentido, e o aprendizado em algo vivo.
Então, que tal começar hoje? Escolha um texto, pegue a tesoura (ou abra o editor de on-line), e monte sua própria versão de mundo em inglês.
Se quiser compartilhar o resultado ou descobrir outras formas criativas de estudar, nossos cursos estão cheios de ferramentas, ideias e atividades para transformar a forma como você aprende.
Porque, às vezes, aprender não é juntar mais — é saber o que deixar.






