Aprender um idioma é lembrar que, “por trás” das palavras, existe muita história e valores. O Día de La Hispanidad dá visibilidade a inúmeros fatores, como na visão da Espanha, em que celebra o orgulho da língua espanhola ou castelhana. De toda maneira, é uma data para reforçar a importância desta língua.
Além disso, o Día de La Hispanidad também é um momento de atenção e reflexão sobre a história colonial e os reflexos sobre a ideia de “descobrimento” da América. Veja logo abaixo.
O que é o Día de La Hispanidad?
Quando o Día de La Hispanidad se aproxima, uma série de reflexões surgem relacionadas ao 12 de outubro, dia de “descobrimento da América” por Cristóvão Colombo, em 1492.
Na Espanha, a data, celebrada todos os anos, é uma das festas espanholas mais populares. Esta comemoração possui muitas camadas necessárias para o debate.
A partir de que ponto de vista o Día de La Hispanidad é um motivo de celebração pelos demais países hispanohablantes?
A fundação dessa data se baseia na exaltação do poder do Império Espanhol e a sua habilidade de achar novas terras que estavam para ser “descobertas”, como se até então não existisse nenhum tipo de organização e cultura naquele novo território.
A história da colonização
O Día de La Hispanidad tem sido um momento para discutir o processo violento de colonização e extermínio dos povos indígenas que habitavam a América. O apagamento da cultura nativa por meio da narrativa eurocêntrica, propositalmente, deixa de fora a história destes lugares.
Como em diferentes países da América Latina, a Colômbia mudou o nome da data para Día de La Raza, onde o mais importante é exaltar e respeitar a cultura indígena.
Em Madri, na Espanha, a data é celebrada nas ruas todos os anos, reunindo milhares de pessoas. Quer entender como os países da América enxergam o Día de La Hispanidad? Saiba mais a seguir:
Argentina
Desde 2010, o dia 12 de outubro foi batizado oficialmente de Día del Respeto a la Diversidad Cultural.
A mudança veio para potencializar o resgate histórico e criar um diálogo intercultural sobre os povos originários. É uma forma de exercitar a memória na época pré-colombiana. Isso porque havia vida e cultura antes da chegada de Colombo na América.
Bolívia
Em vez de Día de La Hispanidad, os bolivianos chamam 12 de outubro de Día de La Descolonización.
A mudança aconteceu em 2011, após decreto do ex-presidente Evo Morales. Com o novo significado, se reforçou a ideia de que o território foi invadido e explorado durante séculos e que, após isso, tem passado por um processo de recuperação.
Chile
No Chile, o feriado é chamado de Día del Descubrimiento de Dos Mundos desde 2000. Para os chilenos, o evento é visto como uma celebração entre a relação dos dois mundos – Europa e América.
Para alguns, é o Dia do Descobrimento da América, para outras pessoas, é o Dia da Resistência Indígena, mas também pode ser chamado de Dia da Raça. Algo conhecido por todos é que ninguém chama de Día de La Hispanidad ou Día de Colón.
México
A década de 1980 trouxe o debate sobre qual seria a maneira correta de contar a história do dia 12 de outubro no México.
Qual narrativa é mais apropriada? O Día de La Hispanidad ou Encuentro de dos Mundos? Os historiadores mexicanos tiveram mais afinidade com a segunda proposta.
Na Cidade do México, há um monumento dedicado ao Día de La Raza, onde as pessoas deixam flores para homenagear o passado.
Venezuela
No dia 12 de outubro de 2002, Hugo Chávez decretou que a data seria celebrada como o Día de La Resistencia Indígena.
Desta forma, o evento “reconhece a autoafirmação latino-americana pela unidade e diversidade cultural e humana”. No país, eles não reconhecem o momento como “descobrimento” ou “encontro”.
Equador
No Equador, o Día de La Hispanidad é um sinal de resistência. A data já foi chamada de Día de La Raza, mas hoje segue como Día de La Interculturalidad y Plurinacionalidad.
No decreto equatoriano, a função da mudança de nome tem a ver com “compreender e visibilizar o processo de colonização vivido pelos povos indígenas da América há mais de 500 anos”.
Estados Unidos
Apesar de não ter o espanhol como idioma oficial, os EUA adotam o “Columbus Day” como feriado. Entretanto, Cristóvão Colombo é visto hoje como uma figura problemática na história dos Estados Unidos.
O debate no país propõe a mudança do nome para Indigenous People’s Day.
Eduardo Galeano e o Día de La Hispanidad
Para que a história do Día de La Hispanidad seja contada da forma correta, seja na Espanha ou na América, é preciso divulgação e debate com boas referências. Afinal, o passado colonial permanece presente nas sociedades no mundo todo.
Na década de 1980, o escritor uruguaio Eduardo Galeano, autor do livro “Veias Abertas da América Latina” (1971), escreveu um artigo sobre o Día de La Hispanidad com o título “não há nada para comemorar”:
“Em 1492, os nativos descobriram que eram índios, que viviam na América, que estavam nus, que o pecado existia, que deviam obediência a um rei e uma rainha de outro mundo, e para um deus de outro céu.”
É importante saber este tipo de informação histórica, afinal, são debates presentes em exames, como o Enem, e também presentes como referências em programas, rodas de conversa e livros.
Por trás de um idioma, existe uma série de considerações históricas que devem ser levadas em conta. A língua espanhola é muito rica, então a sua cultura também é plural e diversa.
Aprender mais sobre a história da colonização significa tornar o futuro mais consciente e atualizado com a realidade histórica. As trocas e as conexões entre culturas devem ser celebradas, mas o passado não deve ser esquecido.
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