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Vocabulário em inglês com David Lynch: emoção, estranhamento e expressividade real

18/07/2025

Se você já tentou assistir a Mulholland Drive, Twin Peaks ou Blue Velvet e parou na metade pensando “não tô entendendo nada”, respira. Isso não é um fracasso. É um começo.

David Lynch não faz filmes para você relaxar. Ele faz filmes que te desconcertam, que desafiam sua lógica, que te deixam sem saber se o que acabou de ver foi genial ou só estranho demais.

E sabe o que isso tem a ver com aprender inglês? Tudo.

Quando você assiste a algo que te tira do lugar comum, seu cérebro é forçado a sair do modo automático. Você começa a ouvir de verdade. E é aí que o vocabulário começa a entrar de um jeito mais emocional e duradouro.

Por que aprender com David Lynch?

Filmes como Mulholland Drive, Blue Velvet e a série Twin Peaks não são feitos para serem decifrados. São feitos para serem sentidos. E isso muda tudo para quem está aprendendo inglês.

Em vez de treinar frases engessadas, como Where is the library?, você aprende a identificar palavras em contextos intensos — de dor, desejo, perda, medo, contemplação, memória.

Você não está apenas memorizando palavras. Está reconhecendo emoções. E isso cria vínculos reais com a língua.

Isso também significa desapegar da tradução literal. Aliás, se você ainda confunde “traduzir” com “aprender”, vale dar uma olhada neste conteúdo sobre quando (não) confiar no Google Tradutor. Entender essas limitações é essencial para transformar vocabulário em algo vivo, expressivo e realmente seu — exatamente como Lynch faz com cada cena.

Você não precisa gostar de cara

Tem muita coisa que a gente só começa a gostar depois de um tempo. Um livro que parecia chato, uma banda que não desceu de primeira, uma série que parecia enrolada. E, de repente, ali pela segunda chance, alguma coisa clica.

Com Lynch é exatamente assim. E com o inglês também. Nem tudo vai ser confortável no começo. Mas permitir este desconforto é o que destrava o aprendizado real.

Aliás, se você só consome o que já curte, você bloqueia um monte de vocabulário novo. Tem palavra que só aparece em drama, em filme lento, em coisa esquisita. E tem emoção que só é explicável com palavras que você ainda não conhece.

Um vocabulário que vai além do óbvio

Ao assistir Lynch com atenção, você vai se deparar com um tipo de inglês que não aparece em livros didáticos. Veja alguns exemplos divididos por temas:

1. Sentimentos profundos

  • grief – luto
  • longing – saudade/desejo profundo
  • emptiness – vazio
  • confusion – confusão mental
  • despair – desespero

Estas palavras não são só bonitas: elas aparecem quando você quer expressar de verdade o que sente.

Quer um exemplo? Em Mulholland Drive, o silêncio de uma personagem muitas vezes comunica mais do que qualquer frase longa. E quando ela finalmente diz “I’m scared”, é simples, direto e devastador.

2. Narrativa americana cotidiana

  • sheriff – xerife
  • diner – lanchonete típica
  • trailer park – comunidade de trailers
  • small town – cidadezinha
  • neighbor – vizinho

Lynch também trabalha com cenários bem americanos, o que te dá vocabulário útil para descrever rotinas, lugares e situações do dia a dia. Inclusive, em contextos formais ou informais.

3. Mistério e investigação

  • evidence – evidência
  • alibi – álibi
  • suspect – suspeito
  • missing person – pessoa desaparecida
  • lead – pista/informação relevante

Com Twin Peaks, por exemplo, dá pra montar um miniglossário de vocabulário policial. Isso é ótimo pra quem ama true crime ou quer escrever histórias de mistério em inglês.

4. Mundo simbólico e onírico

  • dreamscape – paisagem dos sonhos
  • fragmented memory – memória fragmentada
  • alter ego – outro “eu”
  • hallucination – alucinação
  • unreliable narrator – narrador não confiável

Este tipo de vocabulário pode parecer abstrato, mas é extremamente útil para conversas introspectivas, escrita criativa ou até sessões de terapia em inglês.

E você pode ter certeza: quando estas palavras aparecem em um filme de Lynch, não são só figurativas. Elas ganham corpo.

Como aplicar isso no seu inglês do dia a dia?

Lynch é desconcertante e é aí que ele te ensina algo fundamental: falar bem em inglês não é só saber a estrutura certa. É saber expressar o que você sente. E isso exige vocabulário emocional.

Depois de assistir aos filmes, você pode:

  • Criar frases simples usando este vocabulário:
    “I felt a kind of emptiness after that dream.”
    “He lives in a trailer park, close to the diner.”
  • Montar uma mininarrativa baseada em uma cena:
    “The woman walks into the red room. She sees someone who looks like her. She’s scared. The lights flicker.”
  • Escrever em primeira pessoa:
    “Sometimes I feel like a fragmented memory. I don’t know who I am in the dream.”

Simples, direto, expressivo. Isso é muito Lynch. E é um ótimo caminho para você.

O inglês como ferramenta de expressão interior

Talvez o maior ensinamento de Lynch para quem estuda inglês seja este: não tente sempre entender, tente sentir.

E quando você sentir, procure as palavras para nomear. Este movimento, por si só, já é um ato de aprendizado.

Falar inglês não é só pedir comida ou responder perguntas objetivas. É também dizer “I miss someone and I don’t know why”.
É escrever “This place feels familiar, but I’ve never been here before.”. É conversar sobre o que não tem nome e descobrir que o idioma pode te ajudar a encontrar um.

Essa busca por palavras que traduzem sentimentos também está no que Jonathan Safran Foer faz em Tree of Codes: como aprender inglês de um jeito criativo. Assim como Lynch, Foer mostra que o idioma vira uma ferramenta poderosa quando você se permite brincar com ele e criar sentidos próprios.

Leve isso para o seu estudo de idiomas

Você não precisa entender 100% para aprender. Às vezes, é no 60% que você começa a crescer. Assista com legenda, pausa, repete. Mas não desista, só porque não é “legal” de primeira.

Aprender inglês também é sobre se permitir o estranho, o desconfortável, o fora do comum.

E, com o tempo, este estranho vira íntimo. E seu inglês vira seu também. Fale inglês ainda nesta semana com o CNA. Matrículas abertas. Confira as melhores condições.

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