Aprender espanhol pode parecer um novo desafio e de fato é. Mas aqui vai a verdade: você tem um caminho já percorrido só por ser falante de português.
Neste artigo, você vai descobrir como usar o português a seu favor para aprender espanhol de forma mais rápida, consciente e confiante.
A ideia aqui não é cair no portunhol, mas sim aproveitar os atalhos que sua própria língua já oferece. Se você quer ganhar fluência com mais segurança, saber onde pisar (e onde não pisar) é fundamental.
1. Cognatos são seus melhores amigos na maioria das vezes
Cognatos são palavras parecidas em duas línguas, tanto na escrita quanto no significado. E entre o português e o espanhol, há milhares deles, como:
- importante → importante
- natural → natural
- diferente → diferente
- problema → problema
Essas semelhanças são ótimas aliadas no começo do aprendizado. Uma dica prática é montar um caderno temático de cognatos. Divida por assuntos como sentimentos, profissões, objetos, verbos etc. Isso facilita muito na hora de formar frases simples.
E tem mais: usar jogos para fixar esses cognatos é uma forma divertida de reforçar o aprendizado. Veja como praticar com o jogo da memória em espanhol aqui!
Mas atenção: nem todo cognato é confiável. Existem também os falsos cognatos (ou falsos amigos), que parecem familiares, mas têm outro significado, e sobre isso falamos mais adiante.
2. Estrutura de frase: use português para aprender espanhol
Ao contrário do inglês, que muitas vezes inverte a ordem de palavras, o espanhol é mais “fiel” ao português. A estrutura sujeito + verbo + complemento aparece da mesma forma:
- Eu me formei no ano passado → Me gradué el año pasado
- Laura costuma viajar no verão o → Laura suele viajar en verano
Além disso, as concordâncias verbal e nominal são bem parecidas, o que facilita na hora de aprender tempos verbais e flexões. Claro, há diferenças (como o uso do pronome “vosotros” na Espanha ou do “ustedes” na América Latina), mas a base está ali.
Você pode usar frases simples do português como modelo e tentar traduzi-las para o espanhol de forma intuitiva. Isso ativa a criatividade e reforça os padrões gramaticais que já estão na sua mente.
3. Falsos cognatos: saiba onde estão as armadilhas
Você já deve ter ouvido que “embarazada” não significa “embaraçada” e sim “grávida”. Este é um exemplo clássico de falso cognato. Outros exemplos incluem:
- “carpeta” (esp.) → pasta (e não carpete)
- “asistir” → estar presente (e não ajudar)
- “largo” → comprido (e não largo)
- “oficina” → escritório (e não oficina mecânica)
Reconhecer esses falsos amigos é essencial para evitar confusões e situações embaraçosas. E atenção: nem sempre o Google Tradutor vai te salvar nessas horas. Ferramentas automáticas nem sempre captam as nuances culturais e linguísticas, e podem te levar direto para o portunhol.
Dica prática: Crie um glossário pessoal com os falsos cognatos que você mais encontra e revise com frequência. Quanto mais familiaridade com essas armadilhas, mais seguro será seu espanhol.
4. A pronúncia tem sentido (e memória afetiva)
Você provavelmente já ouviu músicas, novelas ou filmes em espanhol. Isso cria um tipo de memória auditiva que ajuda na hora de aprender a pronúncia correta.
Além disso, o espanhol é uma língua fonética, o que significa que a maioria das palavras se pronuncia como se escreve. E como muitas palavras são parecidas com o português, é mais fácil criar associações.
Exemplo:
- Casa → Casa (pronúncia diferente, mas visualmente igual)
- Escuela → Escola (parecido visualmente e sonoramente)
- Perro → Cão (mas o som do “rr” é bem marcado, e você já ouviu isso mil vezes em músicas latinas)
Para praticar, uma das estratégias mais eficazes é a leitura em voz alta. Ela ativa a memória auditiva e melhora sua confiança na hora de falar.
Veja como a leitura em voz alta pode ajudar no aprendizado de idiomas!
Você também pode gravar áudios, usar apps de fala ou repetir frases depois de ouvir nativos. Comparar sua leitura com a de quem já domina o idioma é um ótimo exercício de afinação.
5. Use a lógica para adivinhar palavras
Mesmo que você nunca tenha estudado uma palavra em espanhol, é possível “adivinhar” o significado dela com base no português e com a ajuda do contexto. Isso vale para muitos verbos, adjetivos e substantivos que seguem padrões previsíveis.
Exemplos:
- palavras terminadas em “-dade” (pt) → “-dad” (esp): verdade → verdad
- “-ção” (pt) → “-ción” (esp): educação → educación
- “-oso” (pt) → “-oso” (esp): perigoso → peligroso
- “-al” (pt) → “-al” (esp): legal → legal, cultural → cultural
Estes padrões ajudam a expandir o vocabulário sem precisar estudar listas enormes. Você já tem um mapa mental pronto — só precisa ativá-lo!
Uma forma prática de fazer isso é usando flashcards, que permitem revisar palavras novas com frequência e testar sua memória de forma ativa. Aprenda como usar flashcards para aprender inglês e espanhol de forma mais eficiente.
Dica extra: faça desafios pessoais, como tentar adivinhar 10 palavras de um texto em espanhol antes de olhar no dicionário. Isso estimula sua memória e sua autoconfiança.
6. Reforce com conteúdos que você já gosta (só que em espanhol)
A melhor forma de aprender com prazer é consumindo o idioma de maneira orgânica. Que tal assistir a um filme que você ama, mas dublado ou legendado em espanhol? Ou seguir perfis de criadores de conteúdo latino-americanos que falam de temas que você já curte?
Você já entende o contexto, então absorver o novo vocabulário fica mais fácil.
Ideias práticas:
- Trocar o idioma do celular para espanhol por uma semana
- Acompanhar stories e vídeos curtos no Instagram e no TikTok
- Ouvir playlists de reggaeton, pop latino ou música tradicional com letras
- Escolher uma série com legenda português ou espanhol (ex.: Bienvenidos a Edén, La Máquina, Gangs of Galicia, Clanes).
7. Combine tudo isso com um bom curso de espanhol
Por mais que português e espanhol tenham semelhanças, aprender um novo idioma exige estrutura. Um curso completo ajuda você a identificar padrões, corrigir erros e entender a gramática de forma clara.
O ideal é combinar os atalhos naturais que o português oferece com uma orientação sólida. Assim, você evita cair em armadilhas, como o portunhol, e desenvolve uma fluência verdadeira.
Um bom curso também oferece espaços para tirar dúvidas, conversar com outros alunos e praticar com exercícios específicos para falantes de português. Cognatos, estruturas parecidas, pronúncia familiar, padrões gramaticais e referências culturais próximas tornam o processo mais rápido, leve e prazeroso.
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